FESTIVAL MÚLTIPLA DANÇA

MÚLTIPLA DANÇA - ANO 11

Ano 10 + 1. Porque o primeiro que abre a segunda década do Múltipla Dança inaugura um novo tempo e formato: uma edição inteiramente on-line, com todas as ações mediadas por tecnologias digitais. 

O programa inclui espetáculos para o público infantil, juvenil e adulto, conferências dançadas, mostra de videodança, lançamento de livro, entre outras propostas formativas e artísticas. Na lógica de reunir, adicionar e ir além, combinamos ações e desdobramentos. A oficina Múltiplas Críticas constitui também uma outra atividade: configura um processo de experimentação, edição e publicação (seleção por um conselho editorial de cinco textos do conjunto produzido na oficina) em sites especializados. As proposições do Múltiplas Críticas ocorrem sob a orientação da jornalista Néri Pedroso que integra o conselho editorial com as críticas de dança Ana Francisca Ponzio e Sandra Meyer. Já a oficina Dançar Nossas Histórias, com os artistas franceses Denise Namura e Michael Bugdahn para pessoas com idade acima de 60 anos, desenrola uma mostra pública dos processos criativos desenvolvidos. Após a exibição dos espetáculos infantis seguem-se propostas de formação direcionadas aos professores de artes. Ou seja, após a apresentação de cada um dos três espetáculos da Cia. Druw, oferta-se uma oportunidade para percorrer e explorar processos compositivos das diferentes obras, unindo criação e proposição pedagógica, com a diretora, coreógrafa e professora paulista Miriam Druwe.

Iniciativa inédita e específica ao contexto on-line, propomos uma série de intervenções digitais com artistas da dança nascidos e/ou residentes em Santa Catarina, com a produção livre de uma videodança de dois minutos e a participação em uma live no Instagram. A motivação foi simples: gerar visibilidade, trabalho e renda aos bailarinos e bailarinas do Estado. Sentimo-nos, desde sempre, corresponsáveis pelo ambiente em que estamos inseridos: Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Tentamos, também, alcançar outros pontos mundo afora e, nesta edição, destacamos a participação da companhia francesa “à fleur de peau”, a alemã CocoonDance, a suíça Alias, além da artista brasileira radicada na Alemanha, Regina Advento e do catarinense Volmir Cordeiro radicado na França. 

O homenageado desta edição é Marco Aurelio da Cruz Souza, natural de Gaspar (SC). Sua atuação profissional contribui de modo significativo para o desenvolvimento e a difusão da dança de Santa Catarina, especialmente, com a produção de oportunidades e ações formativas que movimentam a dança nas cidades de Blumenau, Gaspar, Itajaí, Indaial, Pomerode, Brusque, Luiz Alves e arredores. Destaca-se sua contribuição na elaboração da proposta e implantação do primeiro e único curso de graduação em dança no Estado que ele coordena de modo obstinado e dedicado para garantir sua qualidade e manutenção ao longo do tempo. Seus esforços reverberam positivamente também em nível nacional e internacional, especialmente como membro diretivo da Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança (Anda), por meio dos estudos e intercâmbios desenvolvidos na Universidade Técnica de Lisboa (Portugal), como convidado em festivais e eventos, e no papel de consultor para instituições associadas à educação. 

Sim, estamos em meio a uma pandemia que continua abalando cada uma e todas as nossas relações. Optamos, novamente, por não tomar adversidades como impedimento, mas transformar na medida do (im)possível os desafios em encontros férteis. O novo formato deste tempo (10 + 1) tece uma trama afetiva profunda, que solicita um mergulho no desconhecido para buscar o sentido de cada escolha. 

O espetáculo de abertura Normal, da companhia suíça Alias, com direção e coreografia de Guilherme Botelho, aponta àquilo que considera trivial na vida: atravessar um momento difícil, cair, levantar, aprender, enfrentar um problema, estar em crise, reerguer-se em meio aos destroços, ressurgir da queda. Trottoir (Calçada), de Volmir Cordeiro, afirma a metamorfose como caminho de conquista da liberdade e da alegria. Um passeio que escolhe quebrar impasses e celebrar. 

A condição humana é mesmo a de mover e transformar. Eis o nosso convite!

Jussara Xavier e Marta Cesar

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EDIÇÃO 2021:

Direção, coordenação de programação e curadoria: Jussara Xavier e Marta Cesar

Produção executiva: Gisele Martins

Design gráfico e mídia eletrônica: Paula Albuquerque 

Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

Fotografia e vídeo: Cristiano Prim

Operação de streaming: Casarinha  

Tradução e interpretação em Libras: Danielle Sousa e José Ednilson Gomes de Souza Júnior

Articuladoras: Jussara Xavier, Marta Cesar, Néri Pedroso e Paula Albuquerque

Ilustração: Fabio Dudas, sobre fotografia de Arnaldo J. G. Torres (Miriam Druwe - Cia. Druw).

Agradecimentos: Ana Francisca Ponzio, Elke Siedler, Regina Levy e Sandra Meyer

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Todas as ações têm acesso gratuito. 

Classificação: livre para todos os públicos.

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Projeto realizado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Prêmio Elisabete Anderle de Apoio à Cultura / Artes - Edição 2020.

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BREVE HISTÓRIA DO MÚLTIPLA DANÇA:

 

Criado em 2006 como seminário, mais tarde denominado como festival, Múltipla Dança ocorre anualmente durante uma semana do mês de maio, em diferentes espaços culturais de Florianópolis (SC). Trata-se de um programa de ações dedicado a promover a criação e difusão da dança e arte contemporânea, tecido na articulação de artistas profissionais, convidados e público. A programação prevê a oferta de espetáculos, oficinas, palestras, diálogos, mostra de videodança, conferências, ensaios abertos, exercícios de escrita crítica e intervenção urbana. De âmbito internacional, o encontro firma-se no calendário cultural da cidade, e detém, inclusive, o Prêmio Cultura 2008, concedido pela Prefeitura de Florianópolis e Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes para projetos de destaque na área cultural. A cuidadosa curadoria e a vinda de convidados do cenário nacional e internacional asseguram a projeção do evento, reconhecido no contexto da dança contemporânea profissional de Santa Catarina e brasileira, fato atestado em significativas matérias publicadas na imprensa.

 

As dez edições são realizadas em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2014, 2015, 2016 e 2017. A descontinuidade (2010-14 e 2017-21) está essencialmente relacionada à falta de apoios e financiamentos. Além disto, um imprevisto fragiliza os planos de continuidade do evento: a precoce morte da administradora e produtora Neiva Ortega (1951-2018), também integrante da equipe de articuladoras do Múltipla Dança, composta por Jussara Xavier, Marta Cesar, Néri Pedroso e Paula Albuquerque.

A concepção e o programa são calcados na multiplicidade e foco no campo de interesse da dança e da arte contemporânea. Além da exibição de trabalhos artísticos, o festival se pauta em ações de complementaridade entre criação, difusão e reflexão. Oferta oficinas, palestras e diálogos temáticos com expressivos convidados, alcança um público variado, alunos e profissionais da dança local. Planeja atividades que facilitem e fomentem o acesso a diferentes canais de distribuição (teatros, espaços alternativos ou mesmo a rua), o acesso do público em termos físicos (variedade de localidade geográfica, gratuidade de ingresso), o acesso intelectual (encontros, conversas, intercâmbio, publicação de programa, lançamento de livros, entre outras). Ou seja, Múltipla Dança está focado na dança como experiência produtora de conhecimentos e acontecimentos.

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