CONFERÊNCIA DANÇADA

Artistas Transpostos - Intervenção em Espaços Abertos

Regina Advento (Alemanha)

29 de maio, 19h, YouTube

 

Artistas Transpostos, nome dado à conferência, surgiu de reflexões sobre a busca da criação de um estilo de linguagem artística própria, fora de um contexto de grupo. Ao mesmo tempo, tematiza o pertencimento ao Legado Vivo de Pina Bausch que deixa uma específica marca artística, assimilada e impregnada no corpo dançante. Como atingir novas fronteiras e adquirir novas experiências fora do contexto protecionista de uma companhia? O grande desafio é a busca de harmonia entre os “novos passos” e as “velhas conhecidas formas” de condicionamento e comportamento em movimento, sendo essas últimas espelhadas na própria linguagem e comunicação artística.

Conflitante e ambivalente o fato de manter a similaridade com a linguagem de expressão do antigo e, ao mesmo tempo, ter a coragem de se mostrar contrastante com a linguagem primordial e estilística de um contexto conhecido por uma maioria nele especializada. 

No artigo* de Helga Andresen e colegas, publicado em 1978 com o título Linguística e a Linguagem das Mulheres, a cientista e feminista alemã Liuse Pusch escreve que “os humanos são criaturas de hábitos, mas você pode ir mais longe sem eles [estes hábitos, R.A]".

A motivação de romper hábitos e limites foi uma inspiração vinda da artista extravagante e vanguardista Angie Hiesl – uma de minhas orientadoras de mestrado, no módulo Arte em Espaço Aberto. Partindo do fato de que a arte oferece inúmeras possibilidades e, tomando a técnica de improvisação como base de pesquisa em interação com os espaços abertos – eu os chamo de “Palcos Naturais” -, comecei uma coletânea de vídeos de caráter experimental. A movimentação é absolutamente espontânea, improvisada, inspirada no momento e na vibração que o local escolhido me transmite naquele instante. Temas políticos, sociais e contemporâneos se mesclam naturalmente ao movimento, demonstrando assim que a cultura é, ou pode ser, um espelho da nossa sociedade.

 

Texto: ©Regina Advento

*Fonte

 

Palestrante: Regina Advento

Vídeos transmitidos durante a palestra: 

Vídeo 1: Onda Azul (Blue Wave)

Vídeo 2: Passeio no Branco (Ride on White)

Vídeo 3: 1,5°C – Klima 

Vídeo 4: Tom sobre Tom (Rose on Rose)

Coreografia*, Dramaturgia, Concepção e Direção geral: Regina Advento 

Edição, concepção e dramaturgia dos vídeos: Carol Nogueira Fernandes

Câmera: Frank Struckmeyer, Regina Advento 

Figurino: Regina Advento 

Músicas: Gemafreie Musik (free music), fonte: www.frametraxx.de

Títulos: Anywhere, C I T Y L I G H T S / Pure Colors, For The End, Bless me 

Duração: 60 minutos

(Foto: Oliver Strömer)

*Coreografias executadas com a técnica de improvisação livre.

REGINA ADVENTO é bailarina, professora de dança, coreógrafa, cantora e pedagoga da dança curativa - dança terapeuta. Natural de Belo Horizonte (MG), dançou profissionalmente por sete anos no Grupo Corpo. Em 1990 foi convidada para integrar o Folkwang Tanzstudio, na Folkwang Universidade das Artes, na cidade de Essen, Alemanha. Nesta etapa, conheceu e trabalhou com diferentes mestres da dança, como Susanne Linke, Carolyn Carlson, Urs Dietrich, Hans Züllig, Malou Airaudo, Lutz Foster, Alfredo Covino, entre outros. Em 1993, tornou-se membro do Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, onde trabalhou por mais de 25 anos. Desde 2000, desenvolve projetos independentes, ministra oficinas, cria coreografias e planos artísticos, trabalha como cantora. Formada em educação pedagógica de dança curativa, no Langen Institut (Düsseldorf) e em dança terapia. De 2018 a 2021, desenvolve um trabalho em dança terapia, musicoterapia e terapia corporal na Clínica Psicosomática Burghof Klinik na Baixa Saxônia, Alemanha. Atualmente está finalizando o mestrado em M.A. Dança - Mediação, Pesquisa e Criação Artística na Universidade DSHS (Colônia). É membro do Associação Profissional da Dança Terapia (BTD), na Alemanha. Recebeu os prêmios Melhor Bailarina pelo Sindicato dos Artistas de Belo Horizonte, 1989; Melhor Bailarina pela Associação de Críticos de Arte da APCA de São Paulo, 1990; Melhor Jovem Bailarina nas temporadas 1995/96 e 1996/97 pela revista “Ballett International/Tanzaktuell” (por Jochen Schmidt, FAZ); Melhor Bailarina da temporada 2000-01 pela revista “Ballett International/Tanzaktuell” (por Arnd Wesemann, Berlim).

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Dramaturgia Cinética e Dança – Alejandro Ahmed (SC) e Aline Blasius (SC)

30 de maio, 19h, YouTube

 

A experiência da criação artística e o treinamento em dança vinculados à trajetória do Grupo Cena 11 Cia. de Dança. Alejandro Ahmed, junto à bailarina Aline Blasius, compartilha uma experiência prática expositiva dos modos de acionar e criar a dança que define as fronteiras das "cosmotécnicas" que fundamentam as criações e práticas do Cena 11. Do conceito de "corpo vodu" à modulação e síntese músculo-esquelética-emocional de gravidade. As definições de coreografia estruturadas em retroalimentação, arte generativa e algoritmo. O movimento como invenção de si, levando em consideração as relações entre fragilidade, força e homeostase. A evidência de coautoria nas criações individuais e em grupo, tendo a causalidade espalhada como amparo para a criação de ecossistemas coreográficos.

 

ALEJANDRO AHMED é coreógrafo, diretor artístico e performer do Grupo Cena 11 Cia. de Dança. Coreógrafo autodidata, junto ao Cena 11, promove o desenvolvimento de uma tecnologia de movimento que objetiva produzir uma dança em função do corpo e suas extensões. Termos como situação coreográfica, coreografia imaterial e dança generativa nomeiam os campos de interesse aos quais Ahmed objetiva atualmente seus procedimentos junto ao Cena 11 e como performer. Seu trabalho já foi apresentado além do território nacional em outros países da América do Sul, América Central, América do Norte, Europa e Ásia. Atuou como curador na MITsp, Bienal Internacional Sesc de Dança, Festival Cultura Inglesa, Mostra de Dança de Florianópolis, Itaú Rumos Dança, Petrobras Cultural e Festival de Dança de Joinville. As suas novas proposições teórico-práticas estabelecem a tríade correlacional Emergência-Coerência-Ritual como guia de suas ações. Com 19 obras estreadas entre 1994 e 2019, junto ao Cena 11 e colaborações com artistas como Lia Rodrigues (BR), Hooman Sharifi (NOR), Antônio Araújo (BR), Rodrigo Pederneiras (BR), Felipe Hirsch (BR), Inbal Pinto (ISR), Volmir Cordeiro (BR), Luís Garay (ARG), Michelle Moura (BR) e Maikon K (BR), é reconhecido pela singularidade de suas propostas e criações em dança. Destacam-se os trabalhos Violência, SkinnerBox, Carta de Amor ao Inimigo, Monotonia de Aproximação e Fuga para Sete Corpos e Protocolo Elefante, e os solos Sobre Expectativas e Promessas e Z. Ganhou quatro prêmios Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), um Prêmio Bravo, o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Bolsa Vitae, Itaú Transmídia, Itaú Rumos Dança e prêmio Honra ao Mérito Cultural Cruz e Sousa.

ALINE BLASIUS é artista da dança, desde 2007 integra o Grupo Cena 11 Cia. de Dança no qual participa dos processos de criação - formação - performance, e atua como assistente de direção de movimento. Interessada na construção de movimento como recurso transformador da cognição, percepção e presença, é praticante e professora de ioga e formada em terapias corporais. Em 2018 começou seu projeto Estudos Para Levitação, uma série de oficinas e estudos práticos em que intenciona compreender, compartilhar e ressignificar entendimentos de dança através de uma expansão da percepção corporal.   

(Fotos: Cristiano Prim)

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